(S)eu

August 13th, 2007 by

Tenho em meu corpo

A marca da saudade

 

Tenho em meu corpo

A marca de abraços passados

 

Tenho em meu corpo

A ausência do seu

 

Tenho em meu corpo

A ausência do meu

 

Tenho em seu corpo

A plenitude do meu

Aos Amigos

June 5th, 2007 by

Ainda Que voem distantes

Baterá sempre, nesses rostos,

Um sonho constante,

Num pulsar leve e mecânico

Vibrante no delírio

E circular entre os dedos

E saberemos sempre,

Na surdez carente dos nossos corações saudosos

Que entre os invernos de solidão

Sempre terão as primaveras

Pra renascer nossa incansável juventude

E depois, ainda,

Vem num abraço simples o significado de amar

Inebriado no calor do verão

 

O outono já vai passar

 

Ninho

May 23rd, 2007 by

  

Meu corpo:

Desfalecido,

Desmaiado,

Bêbado,

Suado,

Rasgado,

Feito um cadáver indigente,

Um pedaço meio morto do meio peito,

Como um anjo das asas amputadas

E dois olhos cegos diante do mundo e das cores.

 

Assim estou nesse lugar

Assim me quero

Quero meu lugar

 

Me encontro onde me perco

Onde me pertenço e me perpetuo

E me esmago em anseios

Mas me agrupo no ânimo

Do pouco que sobrou do resto já experimentado que ainda virá

 

Me deixe,

Feito louco

Mendigo

Rechaçado nesse lugar

Feito menino

Feito cinzas

Feito-me eu.

 

Me deixe

Feito louco

Mendigo

Amordaçado no seu olhar

No seu colo que me colhe

Pra eu vingar

 

 

April 9th, 2007 by

O poema que postei hoje, é verdade, chegou um pouco atrasado. Já foi escrito há algumas semanas e nos remete a uma discussão intesamente travada no país.

Com a morte de uma criança, por mãos de outra criança, entre outras, várias outras, discutiu-se, teimou-se, brigou-se e quase alguém chegou a alguma solução (quase), sobre a redução da maioridade penal.

Eu, tento neste poema, não trazer uma resposta, mas perguntas, aquelas mesmas. Trata-se de uma fotografia daquele tenso momento, e nada mais.

João Hélio

April 9th, 2007 by

Vejam os rostos dessas crianças

Vejam os corpos

Vejam os brinquedos

E as roupas

O riso no rosto

Vejam os corpos…

Dessas crianças

Vejam as brincadeiras

Vejam as emoções,

Os corpos, os rostos.

Vejam nossas mãos…

Estão vazias!

Não oferecemos proteção?

Será possível (?) ver os sonhos,

As dores, os prazeres,

Medos e anseios,

Dessas crianças,

Pela televisão?

Por onde andava nosso olhar,

Nosso respeito e atenção (?)

Quando o riso se perdeu,

O brinquedo rachou

E o dever de casa rasgou,

Dessas crianças?

Assistíamos televisão

Na impunidade, na indiferença,

Na imobilização (? ou .)

Vejam essas crianças,

Mas elas não estão mais aqui?

Para onde foram (?)

Se desprenderam de nós?

Será que estão cativos em uma prisão (?)

Ou rasgados, os pedaços jogados pelo chão (!)?

Olhem por estas crianças,

Nos condomínios e favelas,

Nos tráficos e nas escolas,

No terror da guerra ou ventre da paz.

Beijem

O Ócio do Tempo

March 30th, 2007 by

Envelhecemos dia a dia,

Mas o espelho nos convence

Que somos jovens demais

 

Pouco a pouco mais crescidos,

Mo o teto alto nos engana,

Que ainda somos baixos demais

 

O mundo gira, em torno de mim,

Tão lento e satisfeito

Que me impressiona não girar.

O tempo vai

Faz meus cachos cãs,

Mas meu coração ocioso ainda quer dançar.

O tempo vem,

Talha rugas no rosto,

Leva meus cabelos,

Não vai parar.

Meu coração ocioso

A esperar um par,

Ansioso para dançar.

 

Enquanto somos muito moços,

Muito poucos, fracos rotos

A vida briga por transbordar,

Pelos nossos poros,

A alma aprisionado pelo ócio.

Ano novo, poema velh

February 27th, 2007 by

Um poema do ano passado q sobrou para este, é o q acabo de postar.
Depois de férias bem curtidas, pesso desculpas pela negligência ao blog, mas, vamos recomeçar.

A Virgem

February 27th, 2007 by

Pelas frestas dos delírios
Se expõe um novo mundo.
Nas mãos de um sonho impossível
O novo desponta-se real.
As loucuras de um sábio,
A inacreditável cura de um mal.

Quando as cortinas se abrem,
Quando o dia mostra aos puritanos
A beleza que, na noite,
Os despudorados cozeram.

Aos tolos que temem o novo;
A todos…
A bela virgem desabotoa seu vestido,
Pavor e desejo ao rosto enrubesce
De pudor e lascívia, o sangue aquece
Seus olhos formosos de candura tremem.
Uma juventude que de volúpia geme.
E aos tolos, convida a musa,
“Vêm desfrutar o novo”

A virgem – um sorriso tímido –
Desnuda, em medo, a novidade pura,
Em sua tez, a nova beleza mostra
E o sei, delicadeza em pele
E em seu ventre o novo encerra leve
Na delícia de um amor pueril
Entre a virgem e o novo.
De um calor sensual,
O novo,
Que a todos estremecem,
É seu amante.

Nessa núpcia,
A virgem, que o medo veste.

Contemplação do Poetizar

November 7th, 2006 by

Deixe-me à nudez de tua beleza

Entrega-me no sonho manso das minhas cãs

Para admirar-te como à lua em noite limpa.

 

Afagas-me,

Causa-me contemplação das tuas palavras,

Em carne quente ilustra-me tuas paixões,

Com a mesma arte que os anjos tocam lira,

Traga-me o prazer de tatear tua vida com a liberdade de um cego no paraíso

 

Ah! Se soubesses (!)

Que tuas palavras são sempre rimas de amor (!)

Que adoçam o sabor da vida e exaltam a paz do caminhar!

Amo-as como um deus à própria perfeição

Pois és tudo o que sou

Teu existir é filho e pai do meu sorrir.

 

Oração a Marte

October 31st, 2006 by

Cala-te, Marte.

Cala-te

Que essa guerra não te pertence.

 

Cala-te, Marte,

Que essa guerra não te pertence,

Essa é demasiada humana,

 E vossa ciência não é competente.

Cala-te, Marte,

Dessa guerra te aparte.

 

Aqui não há espadas,

Nem escudos,

Não há corpos em agonia,

Nem mortos,

Enfermeiras,

Minas.

 

Eis a guerra demasiada humana,

Donde a alma não tem amparo,

E lábios são metralhadoras do mais vil escárnio.

Guilhotina e fogueira,

Tempestade de lágrimas

E pântanos de cadáveres de dignidades

 

Não te lambuzes com esses sofrimentos.

Não, Marte,

Não!

Gemem e suspiram,

Rangeres de dentes constantes,

A loucura é presente

Até no menor ato de amor e ódio.

   

Não te compres com festim,

Não te deites para campo de batalha,

Pois essa guerra não é vossa,

Não vos ajoelha em solenidade.

Demasiada humana

Em causa, mata, morra, cura, ama,

E odeia.