(S)eu
August 13th, 2007 byTenho em meu corpo
A marca da saudade
Tenho em meu corpo
A marca de abraços passados
Tenho em meu corpo
A ausência do seu
Tenho em meu corpo
A ausência do meu
Tenho em seu corpo
A plenitude do meu
Tenho em meu corpo
A marca da saudade
Tenho em meu corpo
A marca de abraços passados
Tenho em meu corpo
A ausência do seu
Tenho em meu corpo
A ausência do meu
Tenho em seu corpo
A plenitude do meu
Ainda Que voem distantes
Baterá sempre, nesses rostos,
Um sonho constante,
Num pulsar leve e mecânico
Vibrante no delírio
E circular entre os dedos
E saberemos sempre,
Na surdez carente dos nossos corações saudosos
Que entre os invernos de solidão
Sempre terão as primaveras
Pra renascer nossa incansável juventude
E depois, ainda,
Vem num abraço simples o significado de amar
Inebriado no calor do verão
O outono já vai passar
Meu corpo:
…
Desfalecido,
Desmaiado,
Bêbado,
Suado,
Rasgado,
Feito um cadáver indigente,
Um pedaço meio morto do meio peito,
Como um anjo das asas amputadas
E dois olhos cegos diante do mundo e das cores.
Assim estou nesse lugar
Assim me quero
Quero meu lugar
Me encontro onde me perco
Onde me pertenço e me perpetuo
E me esmago em anseios
Mas me agrupo no ânimo
Do pouco que sobrou do resto já experimentado que ainda virá
Me deixe,
Feito louco
Mendigo
Rechaçado nesse lugar
Feito menino
Feito cinzas
Feito-me eu.
Me deixe
Feito louco
Mendigo
Amordaçado no seu olhar
No seu colo que me colhe
Pra eu vingar
O poema que postei hoje, é verdade, chegou um pouco atrasado. Já foi escrito há algumas semanas e nos remete a uma discussão intesamente travada no país.
Com a morte de uma criança, por mãos de outra criança, entre outras, várias outras, discutiu-se, teimou-se, brigou-se e quase alguém chegou a alguma solução (quase), sobre a redução da maioridade penal.
Eu, tento neste poema, não trazer uma resposta, mas perguntas, aquelas mesmas. Trata-se de uma fotografia daquele tenso momento, e nada mais.
Vejam os rostos dessas crianças
Vejam os corpos
Vejam os brinquedos
E as roupas
O riso no rosto
Vejam os corpos…
Dessas crianças
Vejam as brincadeiras
Vejam as emoções,
Os corpos, os rostos.
Vejam nossas mãos…
Estão vazias!
Não oferecemos proteção?
Será possível (?) ver os sonhos,
As dores, os prazeres,
Medos e anseios,
Dessas crianças,
Pela televisão?
Por onde andava nosso olhar,
Nosso respeito e atenção (?)
Quando o riso se perdeu,
O brinquedo rachou
E o dever de casa rasgou,
Dessas crianças?
Assistíamos televisão
Na impunidade, na indiferença,
Na imobilização (? ou .)
Vejam essas crianças,
Mas elas não estão mais aqui?
Para onde foram (?)
Se desprenderam de nós?
Será que estão cativos em uma prisão (?)
Ou rasgados, os pedaços jogados pelo chão (!)?
Olhem por estas crianças,
Nos condomínios e favelas,
Nos tráficos e nas escolas,
No terror da guerra ou ventre da paz.
Beijem
Envelhecemos dia a dia,
Mas o espelho nos convence
Que somos jovens demais
Pouco a pouco mais crescidos,
Mo o teto alto nos engana,
Que ainda somos baixos demais
O mundo gira, em torno de mim,
Tão lento e satisfeito
Que me impressiona não girar.
O tempo vai
Faz meus cachos cãs,
Mas meu coração ocioso ainda quer dançar.
O tempo vem,
Talha rugas no rosto,
Leva meus cabelos,
Não vai parar.
Meu coração ocioso
A esperar um par,
Ansioso para dançar.
Enquanto somos muito moços,
Muito poucos, fracos rotos
A vida briga por transbordar,
Pelos nossos poros,
A alma aprisionado pelo ócio.
Um poema do ano passado q sobrou para este, é o q acabo de postar.
Depois de férias bem curtidas, pesso desculpas pela negligência ao blog, mas, vamos recomeçar.
Pelas frestas dos delírios
Se expõe um novo mundo.
Nas mãos de um sonho impossível
O novo desponta-se real.
As loucuras de um sábio,
A inacreditável cura de um mal.
Quando as cortinas se abrem,
Quando o dia mostra aos puritanos
A beleza que, na noite,
Os despudorados cozeram.
Aos tolos que temem o novo;
A todos…
A bela virgem desabotoa seu vestido,
Pavor e desejo ao rosto enrubesce
De pudor e lascívia, o sangue aquece
Seus olhos formosos de candura tremem.
Uma juventude que de volúpia geme.
E aos tolos, convida a musa,
“Vêm desfrutar o novo”
A virgem – um sorriso tímido –
Desnuda, em medo, a novidade pura,
Em sua tez, a nova beleza mostra
E o sei, delicadeza em pele
E em seu ventre o novo encerra leve
Na delícia de um amor pueril
Entre a virgem e o novo.
De um calor sensual,
O novo,
Que a todos estremecem,
É seu amante.
Nessa núpcia,
A virgem, que o medo veste.
Deixe-me à nudez de tua beleza
Entrega-me no sonho manso das minhas cãs
Para admirar-te como à lua em noite limpa.
Afagas-me,
Causa-me contemplação das tuas palavras,
Em carne quente ilustra-me tuas paixões,
Com a mesma arte que os anjos tocam lira,
Traga-me o prazer de tatear tua vida com a liberdade de um cego no paraíso
Ah! Se soubesses (!)
Que tuas palavras são sempre rimas de amor (!)
Que adoçam o sabor da vida e exaltam a paz do caminhar!
Amo-as como um deus à própria perfeição
Pois és tudo o que sou
Teu existir é filho e pai do meu sorrir.
Cala-te, Marte.
Cala-te
Que essa guerra não te pertence.
Cala-te, Marte,
Que essa guerra não te pertence,
Essa é demasiada humana,
E vossa ciência não é competente.
Cala-te, Marte,
Dessa guerra te aparte.
Aqui não há espadas,
Nem escudos,
Não há corpos em agonia,
Nem mortos,
Enfermeiras,
Minas.
Eis a guerra demasiada humana,
Donde a alma não tem amparo,
E lábios são metralhadoras do mais vil escárnio.
Guilhotina e fogueira,
Tempestade de lágrimas
E pântanos de cadáveres de dignidades
Não te lambuzes com esses sofrimentos.
Não, Marte,
Não!
Gemem e suspiram,
Rangeres de dentes constantes,
A loucura é presente
Até no menor ato de amor e ódio.
Não te compres com festim,
Não te deites para campo de batalha,
Pois essa guerra não é vossa,
Não vos ajoelha em solenidade.
Demasiada humana
Em causa, mata, morra, cura, ama,
E odeia.