Archive for September, 2006

Dicionário de Rimas

Friday, September 22nd, 2006

Queria eu
escrever uma poesia;
ser poeta da noite pro dia
atraído por um dicionário de rima.
Achei mais fácil criar uma mentira.

Poderia eu
naufragar em meus sentimentos (?)
Ou navegar ao sabor dos ventos?
Achei mais fácil seguir estrelas

Não tirei os pés nus do chão
Nem os olhos da constelação
Que me mostravam o caminho do norte
Onde faz verão
Onde vou descansar só ao sabor da sorte.

Não fui capaz de fazer poesia
Então criei esta triste melodia
Para assobiar enquanto caminho ao sol
Cuidei-me para vedar atalhos
Por onde siga-me o seu amor.

Não fico triste s’eu ganhei razão
Sei que ainda vou me enlouquecer no céu

Se no céu é onde mora nossa constelação.

Dívidas

Thursday, September 14th, 2006

Dar-se-á por si

Quando a violência lhe arder

Em chumbo quente

Matando-lhe o ar

 

Dar-se-á por si

Das crianças pobres

Deixadas ao relento na podridão

 

E então

Hão de cobrar o passado

Que a inobservância velou

Hão de mostrar a dureza

Que a dor doou-lhes ao coração

 

E então

Verá que a ganância não há de pagar

As contas da falta de fraternidade

Quando não viste que o humilhado trabalhador e o pobre ladrão

Eram teus iguais

Eram teus irmãos.

 

(Boticário)

O Sol da Nossa Terra

Tuesday, September 5th, 2006

Que merda de céu (limpo) azul,

Nenhuma nuvem gris,

Nenhuma chuva a vir.

Necessária é a chuva

Para aliviar a nossa terra seca

Que é preciso brotar as sementes

Nos campos dos latifundiários.

Venha-nos os dias temperados

Pois o calor se assevera

Suam as damas

E suas cadelas não se acostumam a tamanho sol.

Os rios vão se secando

A água se escassa

E não será possível irrigar a plantação,

As flores do jardim vão se esfalecer

Os automóveis não se lavarão.

Que a chuva caia,

Pelos ricos,

Que os brasileiros pobres…

Já nos acostumamos.

Pele rachada ao sol

Como a argila que hão de pisar…

Choramos engasgado

Porque a seca já é parte dos nossos corpos.

Nos perdemos do olhar

Pois nossa cor se mistura ao clima

E os uivos dos ventos,

Confundem nosso lamento.

 

(Boticário)

Alma Perfumada

Friday, September 1st, 2006

Meu sangue versa nessas linhas trêmulas

E minha carne é o pudor da alma

Que se incerra na nudez silente

De um poema entre nossos beijos

 

Me derramo como se fosse num precipício

Ao deitar-te em teu colo meus delírios

E o perfume que sufoca meus carinhos

É perfumaria que a meu corpo nutre

 

São de lágrimas e risos

Que escrevo essas tantas linhas.

É pr’onde vaza o amor

Que não sentes em meus braços

É a língua que meus gestos não falam

É as imagens que vêem seus olhos.

É a perfumaria a saciar-me,

São versos que feri-me. 

 

Se meus poemas te escandalizam, meu bem,

Rasgo-os ao teu pedido,

Mas se não toleras minha alma

Como há de ter no meu rosto os teus anseios

Como hão de fazer meus dedos mortos um gozar? 

 

Deixa eu flutuar por teus recatos

Como faço a mim mesmos ao perfumar-me em poesia

 

(Boticário)

Olá mundo!

Friday, September 1st, 2006

Trata-se de um site que possibilite uma pequena amostra de poemas escritos mais recentemente por mim.

Alguns problemas de estilo é bom eu vir logo advertindo. Sou invariavelmente lírico, mesmo ao escrever poemas de temas sociais ou universais, falo sobre o que vejo, não sobre como as coisas são. “Se quiser uma nova forma de ver o mundo, tente com seus próprios olhos”.

Também me agarro demais ao surreal. Bem ccomo não sei me abster da minha era pós-moderna, com seus destrambelhamentos entre o místico e o científico.

Além de algumas outras características que serão possíveis de se perceber com o tempo.

Espero estar atualizando este blog sempre, com novas poesias, e poucos comentários.

Obrigado aos visitantes, comentem sempre, preciso de vocês, amigos.

Value,

Boticário