Archive for October, 2006

Oração a Marte

Tuesday, October 31st, 2006

Cala-te, Marte.

Cala-te

Que essa guerra não te pertence.

 

Cala-te, Marte,

Que essa guerra não te pertence,

Essa é demasiada humana,

 E vossa ciência não é competente.

Cala-te, Marte,

Dessa guerra te aparte.

 

Aqui não há espadas,

Nem escudos,

Não há corpos em agonia,

Nem mortos,

Enfermeiras,

Minas.

 

Eis a guerra demasiada humana,

Donde a alma não tem amparo,

E lábios são metralhadoras do mais vil escárnio.

Guilhotina e fogueira,

Tempestade de lágrimas

E pântanos de cadáveres de dignidades

 

Não te lambuzes com esses sofrimentos.

Não, Marte,

Não!

Gemem e suspiram,

Rangeres de dentes constantes,

A loucura é presente

Até no menor ato de amor e ódio.

   

Não te compres com festim,

Não te deites para campo de batalha,

Pois essa guerra não é vossa,

Não vos ajoelha em solenidade.

Demasiada humana

Em causa, mata, morra, cura, ama,

E odeia. 

 

Abaixo do Céu

Monday, October 23rd, 2006

 

Vou te contar

A história do meu coração

Que se fartou de mim

Rasgou meu peito

Foi morar no céu…

 

Era então pulsante estrela,

Mas se apaixonou pela lua

Platônico

Cadente se suicidou

Realizando desejos

Aquecendo amantes.

 

Meu coração acelerou de vez

Voando pela contramão

Até se cansar do medo.

Se aninhou na maré,

Calmo, descansou,

Mas quedou a cachoeira

E descobriu:

Adrenalina é passo da vida.

 

Correu o mundo, procurando algum lugar

Até se achar no carnaval

Acelerado, confundiu a candência,

Mas agitou a mulata…

Aplaudia a platéia.

A escola perdeu,

Mas meu coração achou um lar

É filho da avenida

 

 

A Bruxa dos Meus Sonhos!

Wednesday, October 18th, 2006

Mas (!) que colheita fantástica!

Olha o que trazes aí!

Veja que belas maçãs envenenadas

Nenhuma vida há de tão breve partir

Como as que saborearem tal dentada

 

Oh! Minha bruxa malvada

Deita aqui perto de mim

Cala essa ladainha loucada

Que traz feitiço ruim

Afaga o meu cabelo

Diga-me palavras de amor.

Oh! Bruxa mais bela

Para mim tu és bendita

Mesmo quando fazes mandingas para ela

Ela que te julga maldita

Ela que colhe flores no jardim

Ela que beija os animais

E vive de dia e a sorrir.

 

Oh! Minha bruxa querida!

Eu adoro o seu caldeirão

Só ti é mais cheirosa que essa poção

Da um beijo no teu príncipe

Que eu viro um sapo pra ti

Um sapo feio, agourento, nojento e feliz.

 

Oh! Minha bruxa maligna,

Pegará essa criança atrevida?

Como é bela nossa filha,

Ela é a luz da nossa família.

Casamento de Viúva

Tuesday, October 10th, 2006

Caia.

 

Raia.

 

Cai a chuva

                                    Raia o sol

É casamento de viúva

E diversão geral.

Tem barcos de papel em beira de calçada.

São olhos curiosos

Vendo as nuvens negras não tapar o sol,

É casamento de viúva,

É banho de chuva e sol no quintal.

 

Quem nunca foi criança,

É casamento de viúva,

Larga tua pasta e teu guarda-chuva

E toma banho de sol na chuva

 

De tal forma cruzou os braços

Desse mesmo jeito fechou os olhos,

Bateu os pés,

Abriu o berro…

Era a voz repreendedora

Tira-bolo, fura-bola

Que já chamava

Os meninos para casa.

Quem fica banhado em riso

É um moço de gravata,

Mas sem responsabilidade

Nenhuma

   

7/08/04

  

 

Outubro

Tuesday, October 3rd, 2006

Outubro é o mês das crinaça, por isso, postarei durante esse período quatro poemas infantis, um por semana.

O primeiro é em homenagem a Sta. Teresinha, no mês em q se festeja a sua vida.

Um abraço a todos

Rosa

Tuesday, October 3rd, 2006

Eu presenteei o meu amor

Com a rosa com que Santa Terezinha me acalmou

 

Foram nove dias

De prece e oração

Pedindo uma graça

Que Deus não me negou.

E para acalmar meu coração,

Santa Terezinha

Um flor me enviou

Para provar que Deus,

Ouviu o meu clamor.

 

Presenteei o meu amor,

Porque não queria deixar morrer aquela flor.

É o seu coração que vai eternizar

A rosa que minha alma consome

Para sustentar a minha fé.

E dentro dos seus olhos,

Sempre que for preciso,

Verei as pétalas e os espinhos

Da graça que meu Pai me confiou.

 

A perpetuidade é uma certeza:

O que pedi a Deus

Foi um eterno amor.