Oração a Marte

Cala-te, Marte.

Cala-te

Que essa guerra não te pertence.

 

Cala-te, Marte,

Que essa guerra não te pertence,

Essa é demasiada humana,

 E vossa ciência não é competente.

Cala-te, Marte,

Dessa guerra te aparte.

 

Aqui não há espadas,

Nem escudos,

Não há corpos em agonia,

Nem mortos,

Enfermeiras,

Minas.

 

Eis a guerra demasiada humana,

Donde a alma não tem amparo,

E lábios são metralhadoras do mais vil escárnio.

Guilhotina e fogueira,

Tempestade de lágrimas

E pântanos de cadáveres de dignidades

 

Não te lambuzes com esses sofrimentos.

Não, Marte,

Não!

Gemem e suspiram,

Rangeres de dentes constantes,

A loucura é presente

Até no menor ato de amor e ódio.

   

Não te compres com festim,

Não te deites para campo de batalha,

Pois essa guerra não é vossa,

Não vos ajoelha em solenidade.

Demasiada humana

Em causa, mata, morra, cura, ama,

E odeia. 

 

One Response to “Oração a Marte”

  1. Aqueta Says:

    Às vezes, lendo os seus poemas, sinto-me tão pequeno…

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