Oração a Marte
Cala-te, Marte.
Cala-te
Que essa guerra não te pertence.
Cala-te, Marte,
Que essa guerra não te pertence,
Essa é demasiada humana,
E vossa ciência não é competente.
Cala-te, Marte,
Dessa guerra te aparte.
Aqui não há espadas,
Nem escudos,
Não há corpos em agonia,
Nem mortos,
Enfermeiras,
Minas.
Eis a guerra demasiada humana,
Donde a alma não tem amparo,
E lábios são metralhadoras do mais vil escárnio.
Guilhotina e fogueira,
Tempestade de lágrimas
E pântanos de cadáveres de dignidades
Não te lambuzes com esses sofrimentos.
Não, Marte,
Não!
Gemem e suspiram,
Rangeres de dentes constantes,
A loucura é presente
Até no menor ato de amor e ódio.
Não te compres com festim,
Não te deites para campo de batalha,
Pois essa guerra não é vossa,
Não vos ajoelha em solenidade.
Demasiada humana
Em causa, mata, morra, cura, ama,
E odeia.

November 1st, 2006 at 09:13
Às vezes, lendo os seus poemas, sinto-me tão pequeno…