Ninho

  

Meu corpo:

Desfalecido,

Desmaiado,

Bêbado,

Suado,

Rasgado,

Feito um cadáver indigente,

Um pedaço meio morto do meio peito,

Como um anjo das asas amputadas

E dois olhos cegos diante do mundo e das cores.

 

Assim estou nesse lugar

Assim me quero

Quero meu lugar

 

Me encontro onde me perco

Onde me pertenço e me perpetuo

E me esmago em anseios

Mas me agrupo no ânimo

Do pouco que sobrou do resto já experimentado que ainda virá

 

Me deixe,

Feito louco

Mendigo

Rechaçado nesse lugar

Feito menino

Feito cinzas

Feito-me eu.

 

Me deixe

Feito louco

Mendigo

Amordaçado no seu olhar

No seu colo que me colhe

Pra eu vingar

 

 

One Response to “Ninho”

  1. Aqueta Says:

    É, meu amigo, você faz falta, muita falta, neste meio blogal! Precisamos de bons escritores assim!

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