Archive for the ‘Metalinguagem’ Category

Contemplação do Poetizar

Tuesday, November 7th, 2006

Deixe-me à nudez de tua beleza

Entrega-me no sonho manso das minhas cãs

Para admirar-te como à lua em noite limpa.

 

Afagas-me,

Causa-me contemplação das tuas palavras,

Em carne quente ilustra-me tuas paixões,

Com a mesma arte que os anjos tocam lira,

Traga-me o prazer de tatear tua vida com a liberdade de um cego no paraíso

 

Ah! Se soubesses (!)

Que tuas palavras são sempre rimas de amor (!)

Que adoçam o sabor da vida e exaltam a paz do caminhar!

Amo-as como um deus à própria perfeição

Pois és tudo o que sou

Teu existir é filho e pai do meu sorrir.

 

Dicionário de Rimas

Friday, September 22nd, 2006

Queria eu
escrever uma poesia;
ser poeta da noite pro dia
atraído por um dicionário de rima.
Achei mais fácil criar uma mentira.

Poderia eu
naufragar em meus sentimentos (?)
Ou navegar ao sabor dos ventos?
Achei mais fácil seguir estrelas

Não tirei os pés nus do chão
Nem os olhos da constelação
Que me mostravam o caminho do norte
Onde faz verão
Onde vou descansar só ao sabor da sorte.

Não fui capaz de fazer poesia
Então criei esta triste melodia
Para assobiar enquanto caminho ao sol
Cuidei-me para vedar atalhos
Por onde siga-me o seu amor.

Não fico triste s’eu ganhei razão
Sei que ainda vou me enlouquecer no céu

Se no céu é onde mora nossa constelação.

Alma Perfumada

Friday, September 1st, 2006

Meu sangue versa nessas linhas trêmulas

E minha carne é o pudor da alma

Que se incerra na nudez silente

De um poema entre nossos beijos

 

Me derramo como se fosse num precipício

Ao deitar-te em teu colo meus delírios

E o perfume que sufoca meus carinhos

É perfumaria que a meu corpo nutre

 

São de lágrimas e risos

Que escrevo essas tantas linhas.

É pr’onde vaza o amor

Que não sentes em meus braços

É a língua que meus gestos não falam

É as imagens que vêem seus olhos.

É a perfumaria a saciar-me,

São versos que feri-me. 

 

Se meus poemas te escandalizam, meu bem,

Rasgo-os ao teu pedido,

Mas se não toleras minha alma

Como há de ter no meu rosto os teus anseios

Como hão de fazer meus dedos mortos um gozar? 

 

Deixa eu flutuar por teus recatos

Como faço a mim mesmos ao perfumar-me em poesia

 

(Boticário)