Abaixo do Céu

October 23rd, 2006 by

 

Vou te contar

A história do meu coração

Que se fartou de mim

Rasgou meu peito

Foi morar no céu…

 

Era então pulsante estrela,

Mas se apaixonou pela lua

Platônico

Cadente se suicidou

Realizando desejos

Aquecendo amantes.

 

Meu coração acelerou de vez

Voando pela contramão

Até se cansar do medo.

Se aninhou na maré,

Calmo, descansou,

Mas quedou a cachoeira

E descobriu:

Adrenalina é passo da vida.

 

Correu o mundo, procurando algum lugar

Até se achar no carnaval

Acelerado, confundiu a candência,

Mas agitou a mulata…

Aplaudia a platéia.

A escola perdeu,

Mas meu coração achou um lar

É filho da avenida

 

 

A Bruxa dos Meus Sonhos!

October 18th, 2006 by

Mas (!) que colheita fantástica!

Olha o que trazes aí!

Veja que belas maçãs envenenadas

Nenhuma vida há de tão breve partir

Como as que saborearem tal dentada

 

Oh! Minha bruxa malvada

Deita aqui perto de mim

Cala essa ladainha loucada

Que traz feitiço ruim

Afaga o meu cabelo

Diga-me palavras de amor.

Oh! Bruxa mais bela

Para mim tu és bendita

Mesmo quando fazes mandingas para ela

Ela que te julga maldita

Ela que colhe flores no jardim

Ela que beija os animais

E vive de dia e a sorrir.

 

Oh! Minha bruxa querida!

Eu adoro o seu caldeirão

Só ti é mais cheirosa que essa poção

Da um beijo no teu príncipe

Que eu viro um sapo pra ti

Um sapo feio, agourento, nojento e feliz.

 

Oh! Minha bruxa maligna,

Pegará essa criança atrevida?

Como é bela nossa filha,

Ela é a luz da nossa família.

Casamento de Viúva

October 10th, 2006 by

Caia.

 

Raia.

 

Cai a chuva

                                    Raia o sol

É casamento de viúva

E diversão geral.

Tem barcos de papel em beira de calçada.

São olhos curiosos

Vendo as nuvens negras não tapar o sol,

É casamento de viúva,

É banho de chuva e sol no quintal.

 

Quem nunca foi criança,

É casamento de viúva,

Larga tua pasta e teu guarda-chuva

E toma banho de sol na chuva

 

De tal forma cruzou os braços

Desse mesmo jeito fechou os olhos,

Bateu os pés,

Abriu o berro…

Era a voz repreendedora

Tira-bolo, fura-bola

Que já chamava

Os meninos para casa.

Quem fica banhado em riso

É um moço de gravata,

Mas sem responsabilidade

Nenhuma

   

7/08/04

  

 

Outubro

October 3rd, 2006 by

Outubro é o mês das crinaça, por isso, postarei durante esse período quatro poemas infantis, um por semana.

O primeiro é em homenagem a Sta. Teresinha, no mês em q se festeja a sua vida.

Um abraço a todos

Rosa

October 3rd, 2006 by

Eu presenteei o meu amor

Com a rosa com que Santa Terezinha me acalmou

 

Foram nove dias

De prece e oração

Pedindo uma graça

Que Deus não me negou.

E para acalmar meu coração,

Santa Terezinha

Um flor me enviou

Para provar que Deus,

Ouviu o meu clamor.

 

Presenteei o meu amor,

Porque não queria deixar morrer aquela flor.

É o seu coração que vai eternizar

A rosa que minha alma consome

Para sustentar a minha fé.

E dentro dos seus olhos,

Sempre que for preciso,

Verei as pétalas e os espinhos

Da graça que meu Pai me confiou.

 

A perpetuidade é uma certeza:

O que pedi a Deus

Foi um eterno amor.

 

Dicionário de Rimas

September 22nd, 2006 by

Queria eu
escrever uma poesia;
ser poeta da noite pro dia
atraído por um dicionário de rima.
Achei mais fácil criar uma mentira.

Poderia eu
naufragar em meus sentimentos (?)
Ou navegar ao sabor dos ventos?
Achei mais fácil seguir estrelas

Não tirei os pés nus do chão
Nem os olhos da constelação
Que me mostravam o caminho do norte
Onde faz verão
Onde vou descansar só ao sabor da sorte.

Não fui capaz de fazer poesia
Então criei esta triste melodia
Para assobiar enquanto caminho ao sol
Cuidei-me para vedar atalhos
Por onde siga-me o seu amor.

Não fico triste s’eu ganhei razão
Sei que ainda vou me enlouquecer no céu

Se no céu é onde mora nossa constelação.

Dívidas

September 14th, 2006 by

Dar-se-á por si

Quando a violência lhe arder

Em chumbo quente

Matando-lhe o ar

 

Dar-se-á por si

Das crianças pobres

Deixadas ao relento na podridão

 

E então

Hão de cobrar o passado

Que a inobservância velou

Hão de mostrar a dureza

Que a dor doou-lhes ao coração

 

E então

Verá que a ganância não há de pagar

As contas da falta de fraternidade

Quando não viste que o humilhado trabalhador e o pobre ladrão

Eram teus iguais

Eram teus irmãos.

 

(Boticário)

O Sol da Nossa Terra

September 5th, 2006 by

Que merda de céu (limpo) azul,

Nenhuma nuvem gris,

Nenhuma chuva a vir.

Necessária é a chuva

Para aliviar a nossa terra seca

Que é preciso brotar as sementes

Nos campos dos latifundiários.

Venha-nos os dias temperados

Pois o calor se assevera

Suam as damas

E suas cadelas não se acostumam a tamanho sol.

Os rios vão se secando

A água se escassa

E não será possível irrigar a plantação,

As flores do jardim vão se esfalecer

Os automóveis não se lavarão.

Que a chuva caia,

Pelos ricos,

Que os brasileiros pobres…

Já nos acostumamos.

Pele rachada ao sol

Como a argila que hão de pisar…

Choramos engasgado

Porque a seca já é parte dos nossos corpos.

Nos perdemos do olhar

Pois nossa cor se mistura ao clima

E os uivos dos ventos,

Confundem nosso lamento.

 

(Boticário)

Alma Perfumada

September 1st, 2006 by

Meu sangue versa nessas linhas trêmulas

E minha carne é o pudor da alma

Que se incerra na nudez silente

De um poema entre nossos beijos

 

Me derramo como se fosse num precipício

Ao deitar-te em teu colo meus delírios

E o perfume que sufoca meus carinhos

É perfumaria que a meu corpo nutre

 

São de lágrimas e risos

Que escrevo essas tantas linhas.

É pr’onde vaza o amor

Que não sentes em meus braços

É a língua que meus gestos não falam

É as imagens que vêem seus olhos.

É a perfumaria a saciar-me,

São versos que feri-me. 

 

Se meus poemas te escandalizam, meu bem,

Rasgo-os ao teu pedido,

Mas se não toleras minha alma

Como há de ter no meu rosto os teus anseios

Como hão de fazer meus dedos mortos um gozar? 

 

Deixa eu flutuar por teus recatos

Como faço a mim mesmos ao perfumar-me em poesia

 

(Boticário)

Olá mundo!

September 1st, 2006 by

Trata-se de um site que possibilite uma pequena amostra de poemas escritos mais recentemente por mim.

Alguns problemas de estilo é bom eu vir logo advertindo. Sou invariavelmente lírico, mesmo ao escrever poemas de temas sociais ou universais, falo sobre o que vejo, não sobre como as coisas são. “Se quiser uma nova forma de ver o mundo, tente com seus próprios olhos”.

Também me agarro demais ao surreal. Bem ccomo não sei me abster da minha era pós-moderna, com seus destrambelhamentos entre o místico e o científico.

Além de algumas outras características que serão possíveis de se perceber com o tempo.

Espero estar atualizando este blog sempre, com novas poesias, e poucos comentários.

Obrigado aos visitantes, comentem sempre, preciso de vocês, amigos.

Value,

Boticário